TECENDO HISTÓRIAS | Carlita Maria, Fernando de Castro e Helton de Castro
Contar histórias é como puxar os fios de um novelo que se estendem, entrelaçam-se e, pouco a pouco, revelam o desenho de um grande tecido feito de vida e humanidade.
No interior mineiro, em São Tiago, viviam mulheres conhecidas como as “Tias, Moças ou Meninas do Bengo” — fiandeiras, tecelãs de vida simples e afetos profundos. Elas também plantavam, criavam animais, cozinhavam. Sustentavam suas existências pelo espírito da coletividade.
Junto às suas famílias, construíram histórias marcadas pelo estilo de vida comedido, valores e trabalho — narrativas que resistiram ao tempo e exigiam ser registradas. Mesmo após o falecimento da última delas, há mais de cinquenta anos, seus nomes, atitudes e os episódios que as envolveram continuam a ecoar na memória da comunidade, assim como os casos, costumes e tradições que deixaram.
Com a contribuição generosa de tantas pessoas, essas lembranças puderam ser revisitadas e narradas. Somos parte dessas histórias que ainda tecemos, dia após dia, com o fio invisível da continuidade. Ao resgatar fragmentos desse passado, oferecemos às gerações que vieram e às que virão um espelho de nossa origem — um pedaço da família, do interior de cada um e da alma dessa cidade com toda a sua riqueza cultural e afetiva.








